segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Lembranças

Sai a tarde para pegar o carro na revisão. Somente este fato já me remeteu a lembrança a tarde em que não encontrei Nina, pois estava para pegar o carro na revisão. Já se foram 6 meses.
Resolvi procurar um local para tomar um bom café sossegadamente. Fui a shopping. Entrei numa livraria, já sentindo que queria me conectar com Nina. Procurei livros de arte, vi um da Folha de São Paulo que discorria sobre os principais pintores e principais escolas. Pensei em comprar para um futuro presente. Acho que Nina mencionou que havia colecionado. Saber sobre os pintores e as escolas é um assunto que ela conhecia. Vi um de Anita Malfati. Não interessou, outro de simbolismo junto a um de Van Gogh, também não. Procurava por Manet. Não encontrei.
Fui para a literatura, folheei Fernando Pessoa, complexo, mas parece que a poesia se encaixava. Ele também está gravado em minhas memórias com Nina. Ela copiou o poema de Fernando Pessoa que estava na estação Ana Rosa e me entregou. Algo que nos marcou, "as coisas não tem explicação, não precisam ser compreendidas. As coisas são simplesmente coisas". Algo assim. Folheei Nelson Rodrigues que acredito ser um transgressor, tal como desejo ser e as vezes sou. Não me pescou. Sai para o café.
Sentei em uma mesa na Kopenhagen. O café bom, o chocolate idem. Em frente a mesa onde eu estava uma loja de lengerie. Mais lembranças.
A primeira quando Nina estava de branco e eu não a possui, por medo, por respeito.
Depois ela me confessou que havia se preparado para mim. Lengerie branca nova, depilação e estava pronta a se entregar. Me entendeu e se apaixonou mais.
A segunda, azul. Sutil, linda, harmoniosa.
Depois já não me recordo. Ela me seduzia a cada encontro.
Uma rosa, minúscula na parte de trás que já aparecia frente ao jeans de cintura baixa. Me alucinava.
Em outra noite, estava com uma ainda com tons vermelhos (já não me recordo, mas dos lacinhos que desamarrei não me esqueço. Perguntei antes algo: "é só puxar para desamarrar?", "sim" ela disse.
Uma vez pedi preta e fui atendido.
Agora, são apenas lembranças.
Na fantasia que faço em minha mente, já não sei o que é verdade.
Nina foi um verdade tão deliciosa que se confunde com fantasia.
Hoje pareço estar sereno, mas me perguntaram porque ando tão introspecto. No trabalho e em casa. Não posso falar que é porque estou apaixonado e sofrendo por não estar com Nina. Me resta dizer que a crise da meia idade me atacou.
Vivo fantasiando futuros encontros com Nina. Como li, "quem fantasia, engana a si. quem mente engana aos outros".
Portanto, me engano.

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